26 janeiro 2009 - 12:02Entrevista com o Branco Mello dos Titãs.

titas

Que o Branco Melo dos Titãs é um cara ousado, todo mundo já sabe. Mas dessa vez ele resolveu ousar diferente, e como ele já tinha filmado por vários anos os bastidores da sua banda, ele resolveu fazer dessas imagens um filme.

Eu assisti a pré-estréia do filme Titãs – A vida até Parece uma Festa e achei o filme muito foda. Um filme obrigatório pra quem gosta de música, principalmente pra quem gosta de Rock´n Roll. Com cenas pra lá de hilárias e emocionantes o filme ainda conta um ótimo ritmo na edição, e outra coisa que me chamou bastante atenção, o tratamento dado ao áudio do filme.

Esses e outros detalhes você sabe agora ao longo desta entrevista com o Branco Mello dos Titãs, que pra mim é a maior banda de rock do Brasil de todos os tempos.

 

brancomello BL: Branco, como foi essa história de comprar uma câmera e sair registrando todas essas imagens da banda no palco, back stage e camarim? Geralmente as bandas querem privacidade nesses lugares, e vc vem expor pra galera todo esse lado num filme que vai correr todo o mundo mostrando isso.

BM: Eu comprei a câmera em plena turnê do álbum Cabeça Dinossauro. Era uma novidade você poder filmar qualquer coisa e logo depois assistir as imagens com áudio e em cores na televisão. Comecei a filmar tudo que rolava com os Titãs e logo ví que estava registrando momentos que poderiam servir no futuro para fazer um filme diferente. A idéia já era mostrar o lado engraçado e bem humorado da banda.

BL: Putz, então desde o começo das imagens você já tinha na cabeça tornar isso um filme mesmo?

BM: Sim , só não sabia quando começaria a montar o filme, nem que a banda iria tão longe.

BL: E o processo de separar todo esse material, deve ter levado um século heim?

BM: A Angela Figueiredo que é minha mulher e produtora do filme, começou a decupar as imagens em 1991, e a partir de 2002 ela veio arquivando todo o material que chegava e digitalizando para MINI DV e DV CAM, foi quando entramos em produção. Eram mais de 200 horas e eu e o Oscar assistimos juntos todo o material, já fazendo uma pré seleção das imagens. Na verdade passamos seis anos para chegar no corte final.

BL: No filme tem umas cenas hilárias que eu morri de rir, como aquela que você, o Sérgio Britto e o Paulo Miklos estão falando todos ao mesmo tempo! Vocês tavam bem loco ali né?

titas_pb BM: Por incrível que pareça estávamos bem caretas naquele dia. Aquela é a forma como habitualmente discutimos.

BL: Hummmm sei, outra cena muito legal é a do Liminha dando uma puta dura no Charles Gavin porque ele está enchendo de viradas de bateria um música que não precisava tanto. O Charles topou na boa colocar essa cena?

BM: Topou na boa. Ele assumiu a teimosia e disse que mereceu tomar um esporro. Achei bem legal isso da parte dele, pois a cena é importante para o filme.

BL: E agora depois de ver o filme pronto no cinema, existe alguma cena que você tiraria ou gostaria de acrescentar?

BM: Sempre achei que o filme deveria ter noventa minutos. Muitas cenas boas ficaram de fora, provavelmente virem bons extras num futuro dvd.
Quanto as cenas que estão no filme, eu não tiraria nenhuma.

BL: Agora falando do áudio. Como foi o processo de separação do material? As masters, fitas VHS foram fáceis de se achar?

BM: Fui atrás das masters para abrir em 5.1. Achei algumas e outras estão perdidas.  Passei uma tarde com a Angela  procurando as fitas num lugar gigantesco onde a WEA mantém as masters de todos os seus artistas.
Achamos  algumas, outras não. O que servia ao filme, mandamos para o Denilson Campos, que fez a mixagem. Ele não remixou as faixas mas abriu em 2.0 na frente, e jogou apenas alguns instrumentos e vozes nos outros canais. Foi uma grande sacada dele e  o resultado acabou ficando uma porrada.

titas_102 BL: Que legal, eu particularmente prefiro dvds com um estéreo bem legal e as caixas de surround mais para efeitos també! É claro que houve um carinho especial para o áudio, como nas fusões do mono para o estéreo. Como foi o processo de mixagem? Você acompanhou tudo?

BM: Eu e o Oscar fizemos praticamente toda a edição de áudio enquanto montávamos o filme no Final Cut. Entregamos para o Denilson, que no seu estúdio no Rio,  limpou alguns ruídos, mexeu  em frequências, clareou alguns diálogos e mixou o filme inteiro mesclando o que era o som original, com  os áudios dos álbuns e das masters. Depois disso, fomos os três para a sala de cinema do estúdio Mega em São Paulo para fazer os últimos ajustes. Ficamos uma semana acertando os detalhes da mix.

BL: O Oscar Rodrigues Alves que dividiu a direção com você participou dessa etapa do áudio?

BM: O Oscar foi fundamental  na parte de áudio. Além de ser músico e ter muita experiência em montagem de videoclipes ele uma uma obsessão em busca do sinc perfeito. O filme não tem nenhuma cena fora de sinc. Prá um filme musical como esse, isso é um capítulo a parte.

BL: Houve alguma cena que ficou de fora por causa da qualidade ruim do áudio?

BM: Não, as VHS tinham uma boa qualidade de áudio. A cena do Cabeça Dinossauro na Chapada dos Guimarães tem uma locução do Charles, que não dá  para entender direito por causa do barulho da cachoeira, então acabamos legendando. Ficou  muito legal.

BL: Valeu mesmo heim Branco! Eu queria dizer aqui pra quem não conhece o Branco Mello que esse cara é muuuuutio gente fina, e ele respondeu a entrevista diretamente de João Pessoa em meio aos shows do Titãs e a divulgação do filme. Só a última então, a vida até parece uma festa, ou é uma festa que tem umas pequenas pausas no meio?

BM: Acho que é um pouco as duas coisas. Ela realmente até parece uma festa.

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16 outubro 2008 - 18:19Entrevista com o Rick Bonadio no site da Abril.

São pouquíssimos os profissionais que no lugar do Rick diriam o que ele disse nessa entrevista. Por causa disso resolvi reproduzir na íntegra aqui.

Olha só:

Artista que não faz sucesso é ruim, defende Rick Bonadio.
Produtor de NX Zero e Fresno rebate críticas dos independentes e reafirma: “os festivais são péssimos”

“Talvez daqui a 20 anos vão falar bem de mim”

Os festivais são péssimos. E ponto. O mesmo não se pode dizer da cena em si, já que há bandas de qualidade. Esse é o diagnóstico do produtor Rick Bonadio em sua segunda entrevista ao Abril.com sobre o rock independente do país.
O novo parecer é ameno em relação à entrevista por e-mail concedida por Bonadio em 2 de outubro. Na ocasião, o produtor de NX Zero e Fresno foi taxativo em declarar que os festivais independentes eram péssimos e formados por panelinhas, além de criticar a qualidade das letras das bandas da cena.
Causou, claro, a ira dos produtores e artistas da cena. O contra-ataque foi baseado no fato que, por não freqüentar os festivais, Bonadio não teria legitimidade para criticá-los, assim como tampouco as bandas que produz são reconhecidas por suas letras.
Desta vez, o produtor respondeu às perguntas pessoalmente no estúdio de sua propriedade, o Midas, em São Paulo. Ali revelou seu sonho de consumo: trabalhar com os Racionais MC’s.
Abril.com: Você falou que alguns festivais são péssimos e teve uma repercussão…
Rick Bonadio:
Os festivais são péssimos.
Todos? Você chegou a acompanhar algum?
Eu acompanhei todos, e deixei de acompanhar justamente por essa coisa, que se formam panelinhas e curadores de festivais que são caras totalmente alienados do que realmente é a música boa. Claro que existem exceções, mas no geral o que rola é o seguinte, é “o amigo, do amigo, do amigo”. E uma coisa que é um fato, que você até pode me ajudar a lembrar: eu não lembro de banda que tenha feito sucesso no Brasil que tenha saído desses festivais.
Chico Science e Nação Zumbi saíram do Abril Pro Rock…
Chico Science e Nação Zumbi não fizeram sucesso por causa do Abril Pro Rock, eles participavam porque era do lado da casa deles. Vamos lembrar dos últimos sucessos: Raimundos não saiu de festival nenhum, Mamonas [Assassinas] também não, Charlie Brown Jr. nunca se quer participou desses festivais.
O que você acha de bandas como Móveis Coloniais de Acaju. Você conhece?
É uma banda que dentro do independente tem uma das melhores carreiras, e saíram dos festivais…

Conheço. Eu acho que o caminho feito pelas bandas independentes é feito pelas próprias bandas, e esse caminho não passa pelos festivais. Já participei de vários, você chega lá e pensa: ‘porque não toca qualquer tipo de som, fica só aqueles “papos-cabeça”, essas coisas meio de Recife, umas letras meio esquisitas, meio retrô. Chato pra caramba! Eles tocam mal pra burro, não tem uma consistência. E tem bandas boas querendo entrar e que eles não deixam.

Você pode citar algumas dessas bandas?
Posso citar uma banda, o Charlie Brown Jr. Quando a gente começou, nós tentamos tocar no Abril Pro Rock, mas eles não deixaram. O que acontece geralmente é assim, você começa com uma banda de rock e sozinho não consegue entrar nos festivais. Aí, depois que a banda estoura, querem comprar a banda. A banda pede um puta cachê e eles [organizadores] falam: ‘Ah não, eles têm que vir tocar porque aqui é o Abril Pro Rock, aqui é o Mada, aqui é o não sei o que. Aí, bicho, paga e leva a banda, senão faz o seu festivalzinho de merda e pronto. É isso que rola.’
Você acha que essa cena está começando a se fortalecer nessa nova maneira de mercado, fora das gravadoras?
Eu acho que a movimentação das bandas independentes hoje é incrível, porque os caras não têm oportunidade, eles não têm grana e conseguem fazer as bandas por uma única coisa que os move: o amor pela música. Eu não acredito em bandas de internet. E vamos explicar. A banda não surge na internet do nada, ela surge no palco. Vamos supor que você monte uma banda hoje, você foi lá fez um show no Outs [casa de shows paulistana]. Aquele público que estava lá gostou de você, aí eles vão na internet procurar suas músicas. A internet é um veículo, ela não é a primeira oportunidade do público conhecer a banda. Ninguém sobrevive sem show, se não tiver um grande atrativo no palco.
E um fenômeno tipo Mallu Magalhães?
Eu a acho incrível, porque ela é dessa cena independente com qualidade. Porque a cena é boa pra caramba. E a prova ta aí, apareceu uma menininha de 15 anos de idade, com muita qualidade, fazendo um negócio que ela nem sabia que era bom. Eu acho que ela, no caso, contradisse tudo aquilo que eu falei antes sobre o show, ela é um fenômeno de internet. Mas no palco ela é boa pra caramba.
Hoje as gravadoras não estão passando por um bom momento, continuar independente é uma saída?
Acho que as bandas precisam começar no independente, mas elas não conseguem ter uma exposição bacana só vivendo no independente. [Veja] o exemplo do Autoramas, os caras já encheram o saco, eles eram de gravadora grande, já voltaram pro underground. O público não gosta. As bandas que trabalham no underground na cena independente têm a ambição de conseguir um contrato com uma gravadora grande que possa dar um upgrade na carreira.

abril.com.br

Tem muita banda que tem o som bom, mas não é o que o público quer ouvir no momento. Só que tem banda que tem 20 anos e nunca o público quer ouvir. Eu acho que tem alguma coisa errada aí.
Você é um cara que trabalha com muitas bandas ao mesmo tempo, que realiza o sonho de sucesso de alguns, mas muitos sonhos acabaram na sua mão também. Como é lidar com esse outro lado? Lidar com o fracasso?
É bastante difícil, porque ninguém acredita na derrota. O grande lance é que eu também não acredito na derrota. Eu não gosto de banda que não faz sucesso, eu quero fazer sucesso. Os artistas que trabalharam comigo sabem disso, então nós estamos todos juntos. O cara que assina comigo não tem garantia que vai fazer sucesso. Ele vai ter um pouco mais de força, da minha experiência, do meu conhecimento. Mas às vezes não dá certo.
Você acha que rola um pouco de preconceito com o pessoal do emo nos festivais?
Não, existe medo. Se você colocasse o NX Zero quatro anos atrás num festival desses, não ia sobrar pra ninguém, porque os caras tocavam pra caralho. Se botar o Fresno no festival, vai acabar com o festival. Não é porque o Fresno trabalha comigo, eu fui atrás deles e não eles que vieram atrás de mim. Eu fui buscar o Fresno porque chapei na qualidade das letras do Lucas e do Tavares. O vocal do Lucas, a presença de palco dos dois, está muito acima.
Mas você acha que não salva nenhum?
É como eu falei pra você, existem exceções. O Porão do Rock [em Brasília] é legal.

O que você acha dessas bandas que estão aparecendo agora? Tipo Vanguart?
Eu não gosto de nenhuma delas, mas eu as respeito.
Você acha que comercialmente não funcionaria?
Eu não acho que funciona. Tem uma banda que ganhou o “Aposta MTV” agora, com um clipe bom pra caramba, como é que chama mesmo?
O Garotas Suecas?
O clipe é genial, mas a música é terrível. É bem chato.
Você fala de uma “panelinha”. Ela rola em todo lugar, né? Na rádio, na MTV…
Eu não acredito que exista uma panela na MTV. Essa história do Tico Santa Cruz…
O que você achou dessas declarações dele?
Ele está morrendo de recalque porque nunca entrou na MTV porque a banda dele é a cópia d’O Rappa, com Charlie Brown e uma pitada de CPM 22. Então ele fica falando essas palhaçadas aí, mas o garoto é um bobo. Se ele tivesse lá dentro, pergunta se ele falaria isso? Eu era produtor do Mamonas Assassinas. Você tem dúvida que naquele ano os Mamonas Assassinas eram a revelação? Naquele ano de 95, se não me falha a memória, teve lá o VMB. Você sabe quem ganhou como revelação? O Otto.
Vou te dar outro exemplo, a gente ganhou um monte de coisa com o NX Zero agora, já o Fresno não ganhou nada. O próprio NX Zero entrou no top 20 na época, e eu não os conhecia. No dia que eu fui ao Hangar ver o show deles pra contratá-los, eu já tinha ouvido o CD e tinha chapado. Coloquei no top 20 e eles estavam estreando em 18º lugar. E agora os caras tão ganhando tudo e vem o menino lá [Tico] dizer que isso é panela. O cara está recalcado, a gravadora dele gasta milhões em promoções pra ele tocar nas rádios. Porque ele não fala mal das rádios então? Que ele toca pra caramba nas rádios com umas músicas ruins? Tem que dar uns petelecos nele e falar: ‘acorda moleque, [você] está viajando’.
Você é um dos caras que nos últimos anos foi responsável pelas maiores vendagens dentro do pop rock brasileiro. Você acha que a crítica é muito dura com você?
O que me incomoda na crítica é a questão pessoal. Por exemplo, uma vez a gente lançou o disco do Fresno, e teve uma crítica no “Folhateen” que o garoto detonou o disco. Depois eu descobri que ele era de uma banda independente do Rio de Janeiro, que tem treta com os meninos do Fresno. Eu acho que as pessoas me criticam por eu ser sincero e honesto, eu gosto de artista que vende disco. Eu sempre falo que artista bom é aquele que faz sucesso, se não faz sucesso é ruim. O bom é o que o público gosta, senão faz música erudita.
Na época do Mamonas Assassinas, a crítica sempre metia o pau, agora 10 anos depois todo mundo acha bom. Como você analisa isso?
Acho que talvez daqui a 20 anos vão falar bem de mim. Deixa eu ficar velho, aí os caras vão falar bem de mim. Se a critica estiver falando bem do disco, você está na m… Se tiverem falando mal, significa que você tem uma chance de vender.

Por que você acha isso?
É o que acontece. Mamonas, Charlie Brown, NX, sempre foram detonados pela critica e venderam muito. A VEJA vive querendo entrevistar o NX Zero, eu perguntei pros moleques e eles disseram: ‘nem fodendo, aquele cara só fala mal de todo mundo, o Sérgio Martins.’ Não é nosso público, não é nosso timing. Vai dar entrevista pra VEJA pra que? O público de vocês [NX Zero] não lê a VEJA.
Na entrevista anterior, eu tinha perguntado sobre quem você gostaria de produzir. Além do Titãs, tem mais alguém?
O Racionais MC’s. Porque o Mano Brown é um gênio. Um cara que veio de uma situação muito difícil que mostrou com o talento dele que é muito inteligente. Eu acho que eu poderia ajudá-los a melhorar o som dos discos deles. Eu acho os álbuns muito ricos em muitas coisas, mas poderia ser melhor. Os discos não são ruins, faz 10 anos que eu ouço, e não canso de ouvir. Os sons são apropriados para aquilo que ele fala. Eu teria uma coisa interessante pra acrescentar.
Já chegou a procurá-los?
Eu produzi uma vez uma garota junto com o Ice Blue, mas como não somos amigos, não os procurei. Se os caras me procurassem, eu pararia tudo que estou fazendo pra produzi-los. Porque eu sei que essa pose marrenta deles é uma defesa, mas tem muita inteligência ali. É igual a história dos Titãs, eu queria produzi-los porque é muito talento junto. É prazeroso trabalhar com gente boa.
Um dos conselhos que você deu pras bandas era ser original. O Dogão, querendo ou não, era inspirado no Gorillaz. Você não acha que isso acaba contradizendo com aquilo que você disse?
Na verdade, não foi inspirado no Gorillaz. O Dogão sempre existiu, aí apareceu o Gorillaz. Eu ia deixar de fazer porque tinha aparecido outro? O Gorillaz não era rap, tinha o Del tha Funkee Homosapien que cantava rap em umas duas músicas só. O resto eram viagens eletrônicas, experimentais. O Dogão era um rapper pop com personalidade totalmente original.
Você pensa em uma volta do Dogão?
Não, dá muito trabalho. Pra fazer o clipe demorava três meses. Pra gravar o disco eu tinha que fazer nas brechas dos meus outros trabalhos, era uma coisa de pura diversão. O cara que canta tinha outro trabalho que não tinha nada a ver. O trabalho que você tem pra fazer um artista virtual dá pra gravar 10 artistas de verdade. Nós dávamos risada com esse negócio de crítica, até hoje tem gente com raiva do Dogão.

Via: Abril

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12 maio 2008 - 0:01Marcelo Braga da Rede Mix de rádio – "O Rádio vai perder para a Internet, e ponto final"

mix Todo mundo reclama das rádios hoje em dia. Um reclama que elas tocam sempre as mesmas músicas, outro que as músicas são todas iguais, e ainda tem aquele que vive dizendo que a criatividade acabou, e que hoje tudo é cópia de algo que já foi feito antes. Pensei com quem eu poderia conversar sobre esse e outros assuntos e, principalmente, a respeito do rádio brasileiro. Então falei com um cara que sabe tudo sobre esse assunto e já faz parte da história do rádio no País, o Marcelo Braga. Ele conta nessa entrevista como é ser diretor da Rede Mix de rádio, e como ainda encontra um tempo pra ser DJ nas baladas por todo Brasil. Será que o rádio já perdeu a guerra contra a internet? Veremos…

BL. Como eu disse Marcelo, hoje em dia está cheio de gente de saco cheio de rádio, mas ninguém para de ouvir música e nem rádio, seja no micro, no carro ou no seu player de mp3. Sabendo que a música não para de ser consumida, o que o rádio tradicional esta fazendo pra não perder a guerra contra a internet e os Ipods?

MB. O rádio, como a TV tradicional, os cds, os dvds, nada mais são do que MEIOS (daí o nome, "mídia"). Cada um desses suportes organiza uma informação, seja ela uma expressão de arte, jornalismo, esporte e etc, e entrega para quem a consome. Assim foi, historicamente. Ocorre que o consumidor desses "produtos" (posso chamar assim?) têm acesso a esta produção por outros canais que não existiam há pouco tempo. Sendo objetivo, esses meios vêm perdendo sua função (o cd já perdeu!), e aqueles que se recusarem a enxergar isso terão problemas no curto/médio prazos.

O rádio tem uma questão adicional que fará acelerar esse processo. A mídia de massa conforme conhecemos, também está condenada, mas por outra razão. O consumidor não quer mais que alguém decida por ele, o que, quando e como alguma informação deve ser consumida. É a era dos filtros pessoais! Quer um exemplo? No ano passado, na média, a TV Globo (quer exemplo melhor?) perdeu quase 30% de sua audiência média. Alguém dirá "mas foi por causa da TV Record". Ok, a Record cresceu cerca de 7% no mesmo período, logo, para onde foram esses consumidores?? Acabaram? Morreram? Claro que não, apenas mudaram seus hábitos de consumo. TVs a cabo, TIVOs e internet são a explicação óbvia. E esse problema também acontece no rádio, com os Ipods e a Internet (sempre ela). A facilidade de acesso à produção musical, fez com que nunca tenha se consumido tanta música na história da humanidade. O que parou de vender foi o suporte, a mídia, o plástico, o cd! E quem se negar a enxergar isso, ou pior, achar que tudo será como sempre foi (direitos autorais, por exemplo), vai morrer de fome logo, logo.

O resultado é a pasteurização. Fica tudo parecido, as receitas se repetem, a cópia é mais fácil do que a criação.

BL. Mas então o que a rádio MIX tem feito pra não perder o time e esses ouvintes para a internet?

MB. O caminho é estar presente onde o consumidor está, e do jeito certo. A Mix está na Internet, sendo vista e consumida pelo público da Internet, do jeito da Internet. Não há outra forma. A Mix também está na TV, por exemplo, com a MIXTV Jovem. Naquele veículo temos linguagem de TV, timing de TV e tratamento de TV, por isso temos ótima audiência. Passamos de 2 ou 3 pontos de audiência todos os dias, mas a marca MIX é a mesma!!!! A Rádio Mix já é "MIX", e não só "rádio" Mix. Não temos só ouvintes, temos consumidores.     

BL. Você concorda que hoje em dia a criatividade no rádio anda em baixa?

MB. Não diria que a criatividade anda em baixa. Digo que a competição por um universo de consumidores e anunciantes cada vez menor, é o que torna tudo mais complicado. As emissoras são negócios, e devem dar lucro, resultado. Com o movimento provocado pelos tópicos da primeira resposta, as emissoras precisam ficar cada vez mais classe "C" (as classes A e B se deslocam para Ipods e Internet…), cada vez mais reativas, ao invés de propositivas (não tocam o que acreditam, mas aquilo que o público sinaliza que quer ouvir), e mais ajustes terão de acontecer nos próximos anos, apenas para retardar o inevitável: nosso negócio mudou (não disse acabou). O resultado é a pasteurização. Fica tudo parecido, as receitas se repetem, a cópia é mais fácil do que a criação. Não digo que não é possível ser criativo e competitivo, mas copiar envolve menos riscos ao seu emprego. O resultado é esse que se ouve. Pena.

BL. Então você concorda com as pessoas que dizem que as rádios repetem sempre as mesmas músicas e que não há uma atualização constante em  seus playlists?

MB. Sem dúvida. É isso mesmo que acontece. Hoje até aumenta a competitividade das emissoras, mas certamente acelera o desgaste do meio, na forma que conhecemos hoje. Como emissoras musicais, nossa matéria prima está à venda nas lojas (e à disposição nas redes P2P na Internet). Já pensou se a novela Duas Caras estivesse à venda para qualquer canal que quisesse comprá-la e exibi-la? A TV estaria igual. É a evolução. Ou involução?

BL. Caraca é mesmo! Você falou que a cópia é mais fácil que a criação, pois é, as rádios copiam tanto umas as outras que copiam até quando uma rádio diz que é primeiro lugar, pô, ai já é demais né?!

MB. A pobreza do Rádio não é apenas financeira. A pobreza moral é ainda mais acentuada, infelizmente. Como o ouvinte médio não tem como checar, instala-se o vale-tudo. Sobre a Mix, posso assegurar que nossos dados são fornecidos pelo Ibope. Aliás, sempre que alguém disser "primeiro lugar", sem citar a fonte, é mentira. E é o que acontece nas demais emissoras. Como informação, a MIX foi a única Rádio Jovem líder GERAL de audiência, segundo o Ibope, nos últimos QUINZE ANOS na grande São Paulo. Quanto à liderança no segmento de atuação (Jovem, claro), nos últimos 7 anos, a MIX liderou CINCO (!), é a atual líder, e só perdeu por 23 meses para a Jovem Pan, quando o Pânico na TV virou um fenômeno. E só. Qualquer coisa diferente disso, é conversa fiada e falta de vergonha na cara, o que só empobrece o nosso já pobre meio.

BL. Putz, entendi, agora falando um pouco de tecnologia no rádio. A digitalização do rádio finalmente está chegando ao Brasil, digo rádio digital mesmo, não rádios que tocam mp3 e dizem que são digitais por isso. Como a rádio MIX está se preparando para essa nova fase do rádio?

MB. Pessoalmente sou cético quanto à solução dos problemas do Rádio pela digitalização. Eles são maiores do que isso. Esse processo de digitalização já começou nos EUA, um mercado maduro e de referência, faz muito tempo, e nada aconteceu (assim como a digitalização da TV). Tudo muito legal, tudo muito bonito, mas faltou combinar com o consumidor. Existem problemas técnicos no Rádio digital, ainda sem solução, como o "synch" dos dois sinais (digital e analógico), por exemplo. A MIX é a emissora mais importante do maior mercado, e uma referência nacional, por sua Rede de emissoras, e estamos atentos ao processo e torcendo por ele. Quando for do interesse do nosso consumidor, estaremos prontos, antes, não.

BL. Na TV o synch até hoje não está resolvido, se você estiver assistindo a Globo pela SKY e o seu vizinho a Globo pela antena normal, o gol na casa dele sai antes do que na sua, totalmente broxante.

MB. E no rádio é muito pior, porque no momento em que o sinal digital enfraquece, o sintonizador vira para o sinal analógico (adiantado), e quando o sinal digital melhora outra vez, volta para a recepção digital, bem atrasada!!!! Uma loucura, você não consegue ouvir nada…. nem uma coisa e nem outra. 

BL. E mesmo que se resolva essa problema do synch, ainda tem a história do valor do decoder, porque não adianta nada ter o Rádio digital todo bonitão se o decoder custar quinhentos reais, o povão não vai comprar.

MB. Pois é. Existem outras facilidades prometidas pelo Rádio Digital, como por exemplo, tornar o AM um sinal de muito mais qualidade, comparavável ao FM de hoje. Legal, mas vai convencer ao consumidor que o AM, depois de anos de queda de audiência, relevância e faturamento, agora é legal outra vez!! Aí, se você conseguir convencer, é só convencer o cara a comprar um receptor de AM digital!! Viu, que fácil? Como eu disse antes, os problemas do rádio são muito maiores do que isto, mas quem souber ver e entender, vai superá-los com tranquilidade.

O Rádio vai perder para a Internet, e ponto final.

BL. Então você acha que o futuro pertence ao rádio digital ou a internet vai dominar geral, ou seja, o rádio perdeu pra internet?

MB. O Rádio vai perder para a Internet, e ponto final. Nosso negócio terá de se reinventar. A Embratel prevê um investimento de mais de 2 bilhões de reais nos próximos dois anos, para implantação do WIMAX no Brasil. Em São Paulo (capital) devemos ter o sistema operando em um ano e meio, segundo a Embratel. Já imaginou o que isso significa para o meio rádio? Sintonizadores de rádio pela Internet instalados em carros!! O mesmo para devices portáteis como players e celulares!!! Ao invés das 40 emissoras de FM em SP, como opção, você terá dezenas de milhares de opções, fora as emissoras customizadas…. E os celulares com recepção móvel de TV? Imagine as pessoas vendo a novela dentro do metrô, no celular, ao invés de ouvir rádio. É, esse negócio vai mudar, e sobreviverão as marcas estabelecidas. O resto…

BL. Putz, você me surpreendeu com essa resposta, juro que eu pensei que você tivesse uma outra na manga pra essa pergunta! E como o rádio vai se reinventar então?

MB. O rádio sempre foi, como eu disse, uma forma de distribuição de conteúdo (de toda espécie). O que vai acontecer é que o conteúdo será distribuído por outros canais, outros meios, e o rádio terá de se reinventar, mais uma vez, como aconteceu com o surgimento da TV. Só que desta vez as mudanças serão muito mais profundas. O quadro não me parece simples… pergunte aos executivos de gravadoras de discos e eles vão te dizer o tamanho da encrenca. Daqui a uns dois anos, pergunte aos executivos dos estúdios de cinema, e por aí vai.

BL. O interessante é que mesmo com esse futuro a frente a rede MIX de rádio não para de crescer, qual é o tamanho dela hoje e o que a difere das outras redes?

MB. A Rede Mix, em número de ouvintes, é a maior do Brasil. São 23 emissoras em todo o Brasil. Somos líderes em São Paulo, fora nossa presença de ponta no segmento jovem, em praças como Rio de  Janeiro, por exemplo. Rede focada no Jovem, com a velocidade do Jovem, com a linguagem do Jovem, e padrão em todo o Brasil. Vá a Manaus ou Brasília, e a emissora Mix que você vai ouvir, é a mesma!!! A Rede da Transamérica, como exemplo, tem vários "formatos". Em alguns lugares ela é jovem, em outros é popular, em outros é de outro jeito…. Imagine a Coca-Cola sabor laranja em SP, sabor uva no Rio, sabor pão de queijo em Belo Horizonte… uma beleza, não? Aqui na Rede Mix, não. Somos como a TV Globo. Viaje, procure a Mix, e siga ouvindo a rádio que fala com você, do seu jeito… e do mesmo jeito sempre.

BL. As rádios sempre tocam umas versões alternativas das músicas dos seus playlists, e eu percebi que você é o cara que mais pede versões alternativas das músicas que tocam na Rede MIX, e com raras exceções, sempre acaba sobrando para as músicas nacionais. Pergunto isso porque dificilmente se altera uma versão gringa. Vamos pegar o Fall Out boy por exemplo, se a nova música dos caras é uma porrada e vem com guitarra pra caramba, toca assim mesmo. Então você não acha que as músicas nacionais deveriam tocar em sua versão original como as músicas gringas?

E por vezes, deixamos de tocar uma música só porque não se enquadra na expectativa de nosso público, e o novo single do Fall Out Boy é um destes casos…

MB. Na verdade, nós não pedimos versões diferentes para os artistas e gravadoras. Normalmente nós mesmos fazemos os ajustes que julgamos interessantes. Quero ressaltar que isso tem duas funções. A primeira delas é deixar a MIX sempre diferente da concorrência (para melhor), e a segunda e ajustar as músicas para que melhor atendam aos interesses do nosso público, e ninguém conhece o nosso público melhor do que nós mesmos. Não queremos mudar o trabalho de ninguém, tampouco pós-produzir o material dos artistas, apenas queremos entregar o melhor ao nosso público, na opinião do público. Vale lembrar que nenhuma música "remixada" pela (ou para a) MIX é veiculada sem o "de acordo" prévio do artista e da gravadora.

Sobre as músicas internacionais, nós mexemos também!! Dentro dos recursos que nos são disponibilizados. Em alguns casos recebemos o material "aberto" do exterior. Caso contrário, mexemos com a ajuda de remixes, acapellas e outras possibilidades. E por vezes, deixamos de tocar uma música só porque não se enquadra na expectativa de nosso público, e o novo single do Fall Out Boy é um destes casos……

BL. Hummmm saquei, agora falando um pouco do Marcelo Braga, diferente de muitos engravatados que dirigem rádios por aí, você coloca a mão na massa mesmo, e além locutor você é DJ, e já faz tempo. Como que você consegue lidar com isso e mais as reuniões do dia-a-dia?

MB. Estabelecendo prioridades. Faço reuniões com Depto. Financeiro, mas gravo chamadas. Fecho negócios com empresas e parceiros, mas ouço as músicas que vamos tocar na Mix. Uma parte é o prazer, a outra é a obrigação, mas ambos são importantes, logo, faço tudo com enorme satisfação, desde a reunião com o Jurídico até a reunião com a Produção da Mix. E esse envolvimento em todas as áreas (desde sempre), facilita a minha tomada de decisões. É sempre mais fácil deliberar quando você sabe do que está falando. E não perder contato com seu consumidor é determinante para o sucesso do projeto, por isso, sempre estou nos eventos e shows da Mix e toco como DJ nas baladas por todo o País. Vejo nosso público, falo com ele, meço suas reações, e depois aplico no dia-a-dia. Mas cansa muito, acredite….rs 

BL. Pra terminar então, porque a galera do Blog tem que ouvir a rádio MIX?

MB. Proponho que os leitores do Blog ouçam a Mix e depois ouçam as nossas concorrentes. Comparem o nível de qualidade, o padrão de nossos apresentadores(as), nosso nível de produção, linguagem, afinidade com seus gostos, e depois respondam, cada um deles, a essa pergunta. Cada um terá seu motivo, mas certamente todos terão a Mix como preferência. É o que o Ibope tem dito nos últimos 8 anos!!!! E os que não ouvem, sejam bem-vindos!!!!

Abraços a todos.

Marcelo.

Mais sobre a Mix:

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27 março 2008 - 13:27Entrevista com Ronald Gimenez editor-chefe da Rádio Sul América Trânsito.

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A Rádio Sul América Trânsito surgiu no dia 12 de fevereiro de 2007 e inovou trazendo para o Rádio as dificuldades do trânsito caótico de São Paulo. Claro que não levou muito tempo para que ela começasse receber uma enxurrada de e-mails, telefonemas e mensagens de texto do ouvinte querendo saber a melhor opção para o seu caminho. Outra coisa interessante também foi que o ouvinte começou a participar ativamente da programação como se fosse um repórter, passando a informação do trânsito diretamente das ruas da cidade. Assim a rádio ganhou agilidade na informação e acabou ficando em uma posição sem concorrentes no mercado. Desta vez eu converso com Ronald Gimenez que é editor-chefe e apresentador da Rádio Sul América Trânsito, ele comanda o horário que é considerado nobre do rádio e do trânsito paulistano que é das 17:00 às 19:00.

BL: Conta pra gente como é e como funciona a RST Ronald.

RG: O objetivo principal da RST é minimizar os dramas enfrentados pelos motoristas nas ruas e avenidas da cidade. Para isso, seria necessário criar uma estrutura que pudesse sobrepor o que já é feito pelas outras emissoras e criar diferenciais na programação. Temos a maior equipe de repórteres nas ruas (10 no total) e um contigente enorme de ouvintes que entenderam que a RST é o maior canal de comunicação sobre o trânsito na cidade. Não adianta repetir as informações que o Mapa da CET mostra pela web. É preciso oferecer confiabilidade, caminhos alternativos e principalmente, se mostrar companheiro do motorista.

BL: O que você já fez na vida pra parar lá na RST?

RG: Foram várias emissoras de rádio, dos mais variados segmentos. Desde as musicais Transamérica e Musical Fm, até jornalísticas como Eldorado e BandNews Fm. Aliás, por estar na BandNews FM houve a aproximação com a RST. As duas fazem parte do conglomerado do Grupo Bandeirantes. Fui convidado a participar do projeto e não tive dúvidas.

BL: Imagino que nessa cidade punk que a gente vive você deve ter várias histórias hilárias pra contar né?

RG: Tem de tudo. Coisas engraçadas e outras nem tanto. Tem ouvinte fanho que não consegue pronunciar o nome da via, outro que conheceu a mulher no trânsito parado de algum corredor; até os casos mais graves, como um ouvinte que estava quase tendo uma convulsão e foi ajudado pelo âncora, que indicou os melhores caminhos até chegar ao hospital.

BL: A rádio tem planos para aumentar ainda mais a sua abrangência na cobertura do problemas do trânsito, como outras cidades por exemplo?

RG: Sim, mas nosso foco de ampliação da cobertura continua fortemente ligado a São Paulo. Temos inúmeras inovações que estão por ser implantadas e que envolvem tecnologia. Esse é o caminho.

BL: Você já ouviu falar do JM?

RG: Seria o Justiceiro de Motoboys?

BL: Sim! Como vc ficou sabendo do JM?

RG: Aqui na redação além de noticias do trânsito nos falamos um pouco de tudo, como música e tecnologia, e foi pesquisando na internet que encontrei esse texto sobre o JM.

BL: Você acha que estamos perto do momento em que essa ficção se torne realidade?

RG: Torço muito para que não! Seria trágico para a sociedade, até porque a grande maioria dos motoboys são trabalhadores de verdade, que sofrem no trânsito para faturar 2 ou 3 reais por entrega. É um grupo dentro de uma categoria inteira que acaba manchando a imagem de todos. Isso acontece também com motoristas de ônibus, caminhão, táxi e até com motoristas comuns.

BL: Qual é a sua opinião e a dos ouvintes a respeito dos motoboys?

RG: Na maioria das vezes o posicionamento do ouvinte é extremamente crítico. Eles são impactados pela minoria que chuta retrovisores e pára o trânsito quando um outro motoboy é envolvido em um acidente.

BL: Valeu Ronald, tenho certeza que a galera que acompanha o blog vai curtir a entrevista.

RG: Muito obrigado pela oportunidade. Cada vez mais tem sido importante falar das coisas que mexem efetivamente com a vida dos paulistanos. O trânsito é uma delas. Grande abraço.

Ouça a RST aqui.

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20 fevereiro 2008 - 6:04Entrevista com o Lampadinha no podcast do Maestro Billy.

Blog do Maestro Billy

O Billy, ou Maestro Billy como ele é mais conhecido, é um brother de trocentos anos. Ele trabalha com vários tipos de produções, desde uma locução, até trilhas para cinema. Mas onde ele ficou mesmo conhecido da galera foi através do programa Caldeirão do Huck, onde ele faz a trilha sonora do programa. Haaaa sim! Também tem o Pânico, onde ele participou do nascimento programa, também fazendo a trilha sonora e as vinhetas.

Como se não bastasse, o Billy ainda faz parte da comunidade brasileira de podcasters onde é o presidente da Associação Brasileira de Podcast, a ABP. Já faz um tempo que a gente conversou em seu podcast, o papo está aqui.

Clique e ouça.

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30 janeiro 2008 - 10:44Entrevista com o Lampadinha no podcast da Info.

Revista Info

Foi no final do ano passado que pude trabalhar com o Osmar Lazarini da Revista Info. No meio de um papo, ele sugeriu uma entrevista comigo para o podcast Somtech que ele comanda para a Info, eu aceitei. A entrevista acabou rendendo dois programas, e depois ele me disse que foi o podcast mais foi ouvido de todo Somtech.

Assine o Somtech

Aqui você pode ouvir ou baixar os dois programas.

Parte 01

Parte 02 

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19 novembro 2007 - 0:47Maurício Trindade, músico e engenheiro de som.

 

Maurício Trindade E Celson do Prado
Maurício Trindade ao lado de Celson do Prado mais conhecido como Birruga.

 

Maurício Trindade é um brother de longa data, o cara além de um excelente engenheiro de som é um puta músico! Aqui ele conta algumas de suas aventuras, se liga na aula!

BL. Maurício, conta pra galera do blog a sua formação e a quanto tempo vc está na música.

MT. Desde que nasci, há 38 anos, venho prestando atenção em tudo que é som ao meu redor, seja musical ou não, nos mais diversos ambientes, e desde 1981, estudando música e áudio, passando pelo Conservatório Musical Dr. Carlos de Campos em Tatuí, Unicamp em Campinas, Núcleo Synthesis de Música Eletrônica em São Paulo, Berklee (Boston – USA) entre outros diversos cursos. E na prática, desde 1990 trabalhando com áudio e música para publicidade, por volta de 1.500 peças produzidas entre trilhas musicais, jingles, spots, também trabalhando com captação e amplificação de música ao vivo em eventos, concertos e shows diversos, entre eles, captando, amplificando e mixando mais de 400 concertos de orquestra sinfônica, entre elas: Orquestra Jazz Sinfônica do Estado de São Paulo, Orquestra Arte Viva, Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, e outras orquestras e formações musicais diversas arregimentadas para ocasiões e eventos especiais.

BL. Qual a diferença principal de um engenheiro de som que trabalha com música pop, para o que trabalha com música erudita?

MT. A principal diferença: fidelidade à composição. Com música erudita, o áudio precisa ser fiel a composição, há não ser nos estilos mais contemporâneos, porém, a composição é o guia, no pop, o engenheiro pode criar mais, processar o som, recriar o estilo em alguns casos, e por aí vai a criatividade. Explicando: penso que qualquer que seja o estilo trabalhado pelo engenheiro, é muito importante “ouvir” o som antes dele existir, para saber onde se quer chegar, e no caso da música erudita para “ouvir” antes, é muito importante o engenheiro estudar música, história da música, harmonia, acústica, estudar os diversos estilos de composição, para entender o ponto de vista do compositor, do intérprete e principalmente do regente no caso de orquestras e formações com maestro, que é o primeiro responsável pela mixagem, o engenheiro precisa ter conhecimento da situação para captar o som de maneira fiel à “mixagem” do regente, fiel à regência do maestro, é importante que o engenheiro de áudio acompanhe os ensaios lendo a grade musical da composição com todos os instrumentos, a mesma grade que serve de guia para o maestro, para entender e interpretar a composição sem interferir na regência e na interpretação da orquestra, além de ser fiel aos timbres de cada instrumento. Às vezes a composição tem um acorde com cinco notas por exemplo, e cada nota é tocada por um instrumento ou naipe de instrumentos, o engenheiro precisa entender cada parte desse processo para saber de onde vem aquele resultado sonoro final e como captar, amplificar ou mixar aquele som, sem tirar o balanço do som criado pelo compositor.

No caso de grupos eruditos menores, sem maestro, importante acompanhar os ensaios também, como se fosse mais um músico no grupo, entender as nuances de interpretação do grupo e seu estilo de intepretação, seu timbre, porque pode acontecer do engenheiro mudar essa interpretação se não conhecer a composição e o potencial sonoro da formação instrumental.

BL. Qual foi a maior roubada que você já pegou até hoje, e qual foi a situação mais legal?

MT. Não sei se chamaria de roubada, e foi na raça, fui contratado pela Loudness para este trabalho, e foi assim: no estádio do Pacaembu em São Paulo, 50.000 pessoas assistindo no estádio e outras tantas on line num sistema de transmissão ao vivo, coral de 1.200 vozes, 52 canais de captação e mixagem, e muita, muita chuva. Os microfones iam falhando aos poucos, e a equipe técnica (verdadeiros heróis) ia cobrindo cuidadosamente os mics para não molhar e não perder a captação, trocando de lugar os que ainda estavam funcionando para melhor captação do som das vozes, e muitos tiveram que ser desligados e retirados, alguns pifaram, tudo para que conseguissemos captar o som do imenso coral, tudo acontecendo ao mesmo tempo, ao vivo e com mais ou menos 80.000 pessoas sintonizadas naquele mesmo momento musical e inesquecível. Mesmo com tudo isso foi emocionante, todos puderam ouvir e entender o que o coral estava cantando.

Todas situações sonoras são legais, entre elas me lembro agora de uma situação que aconteceu em Campos do Jordão, no Festival de Inverno, Orquestra Jazz Sinfônica e Hermeto Pascoal. Num solo de bombardino, o Hermeto se distanciou do microfone porque gostou daquele timbre misterioso da mistura do som acústico e do amplificado, da mistura da acústica da sala com o som amplificado pelo P.A. – como já havia trabalhado com ele em outras situações, sabia que era aquele som distante que ele curtia naquele momento, tentei avisar o roadie que estava no palco pelo intercom, mas não deu tempo, o roadie, excelente profissional, foi rápido e correu para aproximar o microfone da tuba, era a responsabilidade dele no momento, que de tão atento, não percebeu a nuance pretendida pelo Hermeto, mas aí foi muito legal, o Hermeto entendeu que o roadie não queria atrapalhar e sim ajudar porque da posição que o roadie estava no palco, não ouvia o mesmo resultado sonoro que o Hermeto e a platéia, então, o roadie interpretou aquela situação como falha na posição do microfone, e correu para aproximar o microfone e então surgiu um novo e espantoso timbre de bombardino que o Hermeto, a princípio se irritou porque estava curtindo o som anterior, mas aí começou a emitir um som como se estivesse falando palavrões através do bocal da tuba, algo tipo: “orra meu eu tava curtindo aquele som” isso num ritmo musical super interessante, e o Hermeto começou a gostar daquilo e seguiu o solo empolgado e virtuoso, a platéia foi ao delírio, jamais esse resultado sonoro teria acontecido se não tivesse sido assim.

BL. Qual foi o maior benefício que você tirou com a chegada das consoles (mesas de som) digitais?

MT. Chegar no trabalho com presets, input lists já preparados, e assim chegar mais rapidamente ao resultado sonoro desejado.

BL. Já sei o que você vai falar Maurício, “perguntinha manjada essa heim Lampadinha?” Mas não tem jeito. Então lá vai: O que você aconselha pra galera que gostaria de seguir o seu caminho?

MT. Primeiro tem que amar fazer isso, estudar áudio, música, acústica, os diversos tipos de microfones adequados para os diversos timbres musicais, se não gostar de estudar, ouvir, ouvir muito, analisar tudo que ouvir, se conseguir ler partitura melhor ainda, ouvir lendo a partitura, assim, irá entender qual a “mixagem” pretendida nas regências dos maestros e nas interpretações de grupos musicais que trabalham sem maestro, importante ouvir cada instrumento acusticamente, chegar perto do instrumento, andar em volta dele para ouvir as nuances de projeção sonora, aguçar os sentidos através do som acústico de cada instrumento. Se tiver no estúdio, sair da técnica e ir lá perto do instrumento musical, ouvir sem a interferência do microfone, para que o cérebro e o sentido entendam como acontece aquele som naquele determinado ambiente para saber o que será necessário fazer para que aquele som envolva os ouvintes, seja qual for a finalidade daquele trabalho.

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12 novembro 2007 - 0:46Leela.

Banda Leela

Com o fim do Polux, Rodrigo e Bianca resolveram continuar a carreira criando a Banda Leela. Depois entraram o Tchago e o Luciano, que já saiu. O Leela já foi banda revelação no VMB e também concorreu ao Grammy Latino como melhor banda de rock. Aqui um papo com o Rodrigo Brandão.

BL – A banda abriu os shows da Avril Lavigne no Brasil, é verdade que ela é uma mala sem alça danada, metida que só?

LL – Nem deu pra saber porque não rolou nenhum contato mais íntimo, só contato visual, hehehe. Em Curitiba, no primeiro show que fizemos juntos, tentamos dar um alô para agradecer o convite feito para abrirmos os shows mas a produção dela disse que seria impossível, então deixamos um bilhete agradecendo mas não fazemos idéia se foi entregue ou se ela leu.

Teve um momento quando ela saía do palco que ela iria passar na frente da Bianca mas imediatamente um segurança enorme que devia ser maior que as duas juntas se interpôs no caminho e isso foi o mais próximo de um contato que rolou.

Independente disso, foi uma ótima experiência pra gente ter aberto os shows daquela turnê, nos divertimos à beça e tivemos a oportunidade de tocar pra muita gente que não conhecia nosso som.


BL – O batera Luciano saiu da banda porque quis ou vocês limaram o cara? Se limaram, não limaram direito, pois ainda tem um pé dele na foto do site de vcs!

LL. Ele saiu da banda. A iniciativa foi dele, a gente já sentia que ele não estava muito entusiasmado com a idéia de tentar sobreviver como músico. Realmente é muito difícil, você encontra muitas falsas promessas que geram falsas expectativas e não é fácil lidar com isso com freqüência.

Mas essa da foto você sacou bem. Fizemos uma sessão de fotos depois da decisão dele com todos os quatro para o encarte do CD e com os três restantes para divulgação. Acabou que o pessoal que fez o site optou por uma foto de nós quatro, mas editando o Luciano, acho que não ficou tão perfeito essa “lima” e sobrou o pé dele ali. Engraçado é que eu só notei agora e acho que ninguém tinha notado antes, mas achei até legal, fica como “easter egg”, hehehe.

E pra completar, entre nós está tudo na boa, como tinha que estar. Luciano é um super-amigo. Aliás, todas as pessoas que já tocaram comigo são grandes amigos, desde bandas que tive no colégio passando por quem tocou no Polux, no Leela e em todas as bandas que tive. Acho que uma das maiores recompensas que a música tem dado pra gente são os amigos que fazemos.

BL – A banda veio do underground da, camelagem, da ralação. Conta aí uma robadaça que rolou com vocês.

LL – Temos muitas histórias de roubadas. Acho que a mais recente ocorreu no último show com o Luciano. A gente estava super-empolgado e tocando com tudo até por ser o último show dele no Leela e tudo ia muito bem até que a luz do lugar se apagou, voltou e se apagou novamente. Daí Luciano ficou fazendo uma levada na bateria e eu só esperando a luz retornar para retomar a música com um riff marcante de guitarra.

BL – A banda Leela tem blog, fotolog, e o escambau. Aproveita e fala geral da banda, site, cd, show etc.

LL – Estamos lançando nosso segundo CD, “Pequenas Caixas”, que é o nome do primeiro single também. Brevemente lançaremos um clipe da música todo feito em animação de onde surgirão códigos que levarão a conteúdos exclusivos e inéditos em vídeos super-bacanas da gente compondo, tocando com outros artistas, turnê com a Avril, etc…, promoções bacanas com kits de CDs, instrumentos (pratos, guitarras, violões), jogos online. Estamos apostando bastante na divulgação do nosso trabalho na Internet (como todo mundo parece estar, aliás).

Dia 6/11 faremos um show de lançamento no Teatro Baden Powell no Rio, dia 10/11 em São José dos Campos, e dias 16/11 e 19/11 estaremos em Itaipava e no Rio de novo. Para saber mais detalhes sobre a agenda e novidades e poder escutar nosso disco em streaming com excelente qualidade é só visitar www.leela.com.br e se cadastrar.

Valeu Lamps! Adorei a entrevista.
Rodrigo Brandão.

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8 novembro 2007 - 22:25Agora você pode votar nas notícias do Blog do Lampadinha!

Isso mesmo?

Estes links aqui embaixo são de sites de notícias colaborativas, isto é, são sites que reúnem links de notícias que são enviadas pelos próprios usuários e avaliadas por todos que as lêem. Esse tipo de site é um sucesso no mundo todo, tendo milhões de acessos diários.

Então se você gostar de um post e quiser divulgar pra mais gente por aí, é só clicar num dos links. Você só preenche um cadastro simples com nome e e-mail e pronto, aí não precisa nunca mais preencher mais nada.

Quanto mais indicações, mais o post será visto por outras pessoas, que podem dizer se gostaram ou não.

Manda bala vai!

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22 outubro 2007 - 16:52Planta e Raiz.

Planta e Raiz

Zeider tava numas de tocar um reggae, ai chamou seus brothers de escola Fernandinho e Samambaia, juntos começaram a tocar uns covers de Bob Marley. E assim nasceu o Planta e Raiz. Eu conversei com o Planta, eles falaram sobre o novo álbum e sobre a banda.

BL. Toda banda de reggae tem a fama de um bando de gente que só fica de papo pro o dia inteiro, e ainda por cima fumando maconha, o Planta pelo que sei é correria e trabalha pra caramba, como vocês lidam com esse estereótipo?

PR. Cada um faz da sua vida o que quiser. Nós não ligamos prá esses comentários porque a nossa correria é outra. Temos uma agenda bastante movimentada na semana. Cada um aqui tem sua familia, filhos prá levar na escola, também temos os dias de ensaio e no fim de semana estamos na estrada fazendo os shows. Já é bastante trabalho graças a Deus.

BL. Se tem uma coisa que todo mundo gosta de saber, é aquele tipo de história que rola na estrada, aquela situação que ninguém esquece mais, então conta uma pra gente?

PR. Hoje em dia nós temos mais coisas boas pra lembrar do que situações difíceis. Graças a Deus ele tem nos colocado pra conhecer cidades maravilhosas, o Brasil é lindo. Mas, um dia quando chegamos num pico em Congonhas do Campo em Minas Gerais e quando vimos o P.A que o contratante tinha colocado, aquelas caixas de som dos anos 70, nós pensamos que ia ser um fiasco. Mais como a gente sempre leva o nosso back line, as nossas mesas, e uma equipe bastante competente, os caras trabalharam dobrado e o show foi irado.

BL. O Planta e Raiz se tornou uma empresa, e sei que as atividades fora do palco da banda são intensas. Como é isso?

PR: A gente tem uma parada bem organizada semanalmente com ensaios, visita a rádios, entrevistas, gravações e shows beneficentes. É um trabalho profissional como outro qualquer.

BL. O Planta é uma banda grande, com 7 integrantes, como vocês fazem pra conciliar a vida pessoal e profissional de todos?

PR. Olha só, o interessante é que estamos juntos a 9 anos e fomos construindo nossa vida aos poucos, familia , filhos, compromissos pessoais etc. Mas, tudo isso em função da música. Então quando vai rolar um show ou qualquer trabalho da banda isso se torna prioritário porque é daí que vem o nosso sustento.

BL. Pra finalizar, o que vem por ai de novidades do Planta?

PR. Estamos lançando o novo CD “Qual é a cara do ladrão?” que é um trabalho totalmente autoral, gravado quase que ao vivo no Midas Studios e nós consideramos que é o melhor da nossa carreira. Como sempre tivemos o previlégio de contar com a experiência e o talento de profissionais como você, o Niltão, o Rodrigo Castanho, além do Rick Bonadio no comando geral da parada. E o mais legal é que a galera curtiu muito o resultado. Estamos viabilizando também a gravação do novo Clip com essa música de trabalho e um novo visual pro nosso site. Por falar nisso, visitem o nosso site www.bandaplantaeraiz.com.br

* Lampadinha, nós agradecemos a oportunidade de poder trocar essa idéia com vc através do seu blog que está irado.

Parabéns !!!

Banda Planta e Raiz.

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