Perí entrevista o produtor musical Lampadinha, dono da Mixmastermusic, confira!

Aqui uma entrevista comigo no blog da MTV do meu brother Perí Carpigiani.
Ficou bem legal!
Valeu Perí!

Lampadinha (Produtor Musical)

Posted by  on jun 20, 2012 in Geral | 0 comments

Lampadinha é um produtor musical dos mais requisitados no mercado nacional, já trabalhou com muita gente importante e hoje em dia é respeitado e procurado por artistas de diversos segmentos, pela qualidade de seu trabalho e sua visão profissional. Além de seu talento nato e habilidade única pra gravar, mixar e masterizar, ele atua também na área radiofônica e tem sua empresa de áudio, a Mixmastermusic. O blog Horizonte Vertical, tem a honra de trocar uma ideia com ele…

Perí-- Como foi que você começou na produção musical?

Comecei a trabalhar com música em 1984 em uma empresa de sonorização no interior de São Paulo, lá aprendi a montar sistemas de PA para shows e eventos. Depois de um tempo, eu já estava fazendo shows com alguns artistas locais. Passado um tempo montei um estúdio com esse brother da empresa e comecei a gravar todo tipo de banda, de rock a forró, e como era só eu no estúdio sem assistente algum, as bandas que pintavam por lá eu ia montando e ajudando ao longo do processo de criação do então LP, ou seja, ia produzindo o trampo dos caras.

Perí- O que mais te encanta nesse trabalho?

A música em primeiro lugar. Eu sempre ouvi música, e muito, desde pequeno lembro que meu pai tinha um rádio Motorádio que abri e fiz umas gambiarras pra poder ligar umas caixas de um sistema 3 em 1 que minha vó tinha me dado. Deve ser do DNA mesmo, pois meu avô tocava violão e fazia toda a família tocar alguma coisa, tipo uma jam familiar, com maracas e vários outros intrumentos, então minha vó que já estava bem doente de cama, viu que eu queria muito um sistema de som e prometeu me dar um, mas desde que eu colocasse no quarto dela e ouvisse bem alto. O paraiso pra um menino de aproximadamente dez anos! Outra coisa que me encanta é poder participar do processo de criação de uma obra junto com o artista, de algo que não existe, isso é demais! Cada trabalho embora tenha uma metodologia meio parecida, como pré produzir, arranjar, gravar, mixar etc, é sempre único, e essa empolgação tanto do artista quanto minha é muito excitante, tipo criança na Disney saca? E depois de pronto você poder ver o artista já colhendo frutos com o trabalho que você ajudou a criar, e isso é muito gratificante, por exemplo o Hateen, que após o lançamento do novo CD já saiu fazendo shows pra caramba por aí. Outro exemplo foi uma menina guitarrista que produzi, chamada Lari Basílio, assim que acabamos o seu primeiro trabalho, ela já saiu fechando workshops e contratos de patrocínio com empresas como a Tagima por exemplo. Muito foda isso!

Perí- Quais trabalhos desenvolvidos nesse tempo você acha que mais te representam?

Putz, pergunta mega difícil! Todo trabalho tem uma dose muito forte de envolvimento e assim fica difícil escolher esse ou aquele, posso falar dos mais recentes que são os que estão mais próximos com relação a empolgação. Esse do Hateen que falei é um, pois os caras estavam há muito tempo sem fazer um trampo novo e estavam na maior febre de fazer um trampo no veneno. O da Lari Basílio, por ser o primeiro trabalho solo dela, é um trabalho instrumental o que não é muito comum, principalmente para uma mulher. A banda Audioclube que é uma banda de rock muito foda com umas puta letras, e uns caras que tocam muito. E o da Banda Tri, uma molecada do Rio Grande do Sul que acabamos de fazer o primeiro CD, esses caras são muito figura e muito talentosos também.

Perí-- Você acha que a personalidade do artista pode ajudar ou atrapalhar na relação Produtor/Artista?

Os dois, o artista é a matéria prima, o começo e a base de tudo, um artista centrado, organizado, objetivo, faz total diferença, quanto mais pirado for mais trabalho dá, é um pouco mais difícil mas faz parte. Eu costumo dizer que se tivesse uma facul obrigatória pra qualquer um se tornar produtor, seria a de pisicologia :-) Claro que o ego do artista as vezes pode atrapalhar, mas quem não tem? Isso faz parte, é só uma questão de se ambientar, conhecer o artista, e aprender a lidar com ele, cada um cada um né? Uma coisa que eu gosto muito de fazer é conhecer o máximo possível do artista com quem eu vá trabalhar, antes de iniciar o processo de pré produção, eu gosto de poder sair, tomar umas, conversar sobre o trabalho, sobre a vida, sei lá, bater papo. Conhecer com quem você vai trabalhar, porque ai o relacionamento fica bem mais fácil e com mais base. Pra mim isso é mega importante, pois depois de você adquirir um relacionamento, seja ele em qual nível for, fica muito mais fácil de a gente conversar, opinar, mudar, discordar, enfim, conviver durante todo o processo de criação.

LampadinhaLampadinha

Perí-- Até que ponto o produtor pode transformar o artista em algo que ele não conseguiria ser “sozinho”?

Meu, o cara que cria as vezes não tem noção que algo que ele fez é sensacional, ou ruim, é difícil mesmo. Eu sempre tento dar esse norte, coisas que eu acho que são legais pra caramba, e coisas que acho que não são tão sensacionais como ele acha. Por exemplo, a estrofe da música A é boa mas o refrão nem tanto, e o refrão da música B sensacional, mas a estrofe fraca, porquê não tentar fazer um bem bolado então? Claro que eu tento direcionar de acordo com o que eu vivi, com o meu gosto pessoal, com a minha experiência, com o que aprendi com as pessoas que trabalhei ao longo dos quase trinta anos de estrada, mas se o artista não quiser alterar, não será alterado. Veja só eu penso assim, quando alguém entra em contato comigo, ele procura alguém que possa ajudar na criação do seu trabalho, acrescentando, dando idéias, sugestões, colocando o seu print no trabalho, ele não contrata um chefe que vai obrigar ele fazer tudo do jeito que o chefe quiser. Como eu já disse acima, eu sempre procuro manter um contato mais próximo com as bandas e artistas com os quais trabalho, e isso ajuda demais. Um exemplo disso foi o segundo disco da Fake Number que produzi, lembro que tinha uma música que não me agradava muito, que eu achava que não tinha muito a ver com o contexto do repertório todo. Só que quando eu disse que não curtia muito foi uma comoção geral na banda, todos amavam a música, diziam que no show ela arebentava e talz. Como eu poderia argumentar que essa música não entraria no repertório? Então não contestei, claro que entrou.

Perí-- O Ego de um artista pode atrapalhar seu desempenho?

Se não for bem administrado, com certeza, mas nada que um bom bate papo, uma cerveja gelada e uma porção de batata frita não possam resolver :-)

Perí-- A internet e os home-studios tem criado uma enorme gama de artistas que, sem a ajuda de um produtor profissional, acabam colocando seus trabalhos na rede. O que vc acha dessa situação e que futuro você vê pra isso?

Eu acho isso sensacional! Quando eu comecei a única forma de fazer algo de qualidade era indo pra um estúdio grande e pagando mó grana. Hoje, um cara com talento pode fazer coisas inacreditáveis em casa, inimagináveis na época! O mundo hoje é muito menor e muito rápido, tanto é que essa galera já percebeu que colocar o seu material na web sem a finalização feita por um produtor/engenheiro experiente causa uma grande diferença comparada aos outros trabalhos. Um bom equipamento ajuda, mas não resolve, um bom engenheiro faz mais que alguém sem experiência. Eu vejo isso claramente na cena indie, a galera grava em casa, num puta astral, num puta clima, consegue obter o melhor da vibe, mas depois passa pra alguém que possa jogar esse trabalho “lá pra cima”! Eu passo por isso todo dia, sempre que alguém quer que eu finalize o seu trabalho, eu penso assim, preciso surpreender esses caras, o que eu posso fazer pra que isso aconteça? E logo quando eu entrego a surpresa geralmente é grande, muitas vezes mais do que o esperado. E isso é extremamente gratificante.

Perí-- Quais produtores, gringos ou nacionais, você citaria como influência pro seu trabalho? O que você valoriza em um produtor musical?

Putz, tem trocentos, e o que eu mais valorizo em um produtor é a maneira que ele interage com as bandas ou artistas, eu costumo dizer que existem vários tipos de produtores, além do que, o termo tem vários significados e estilos. Pra mim o produtor antes de tudo é um “gestor de projeto” com visão artística e musical, é ele que coordena o orçamento do projeto, escolhe a equipe, o estúdio em que serão feitos os ensaios, pré produção, gravação, mixagem e masterização e por ai vai. Claro que sempre em conjunto com o artista. Além de administrar eventuais conflitos que possam aparecer ao longo do caminho :-) Vou citar alguns estilos de produtores pra vocês terem uma idéia da minha visão: O Coordenador. Muitos produtores não tem qualquer conhecimento técnico ou musical. Rick Rubin é um exemplo clássico, ele não mixa, não grava, nem masteriza, não toca, ele foca apenas no artista, motiva as performances, treina e conduz os músicos pra produzirem o seu melhor, na web tem vários vídeos em que você pode conferir isso. O Músico. É o cara que na maioria das vezes foca mais em comentar, aconselhar sobre composição, arranjos e performances, do que opinar na parte técnica por exemplo ou coordenar o budget. O Engenheiro. Esta é provavelmente a idéia mais comum que a maioria das pessoas tem do produtor, que é aquele cara que fica debruçado sobre uma console. O estúdio é seu instrumento, e o produtor o utiliza trabalhando até tarde da noite para criar algo realmente inovador. O Artista. Alguns produtores assumem uma posição basicamente de artista, como por exemplo o Prince que assina modestamente seus trabalhos assim “Produzido, arranjado, composto e interpretado por Prince”.

Perí-- O que você acha que o artista deve fazer pra conseguir atingir o mercado sem se vender ao sistema?

Primeiramente ser autêntico, ser ele mesmo, sem querer ser o Deve Grohl ou o Hetfield, a autenticidade é fundamental. Porque alguém vai se interessar por uma banda que é praticamente cover do Black Keys se já existe o original? Be your self porra!

Perí-- O que você procura extrair de um artista quando vai trabalhar com ele?

A sua essência, sem a menor dúvida. Não é possível e nem existe uma máquina que transforme uma banda de rock em uma boy band. Isso não funciona, não há como dar certo.

Perí-- O que você acha do cenário da música nacional atual?

O que mais me agrada é a abrangência que o rádio ainda tem pelo país. Com relação ao cenário musical, depende do estilo. O trabalho nas rádios, com relação aos artistas de rock, está bem difícil, pois o dance está dominando. No caso de um artista sertanejo a situação é bem diferente, não que seja fácil, mas é bem mais maleável.

Perí-- Como tem sido o seu trabalho junto às rádios? O que mais te agrada nesse setor?

O cenário atual é Dance Music 10 x Rock 2, a música nacional está perdendo para os artistas gringos de dance music. O Rádio em São Paulo é a base pra muitas rádios pelo país e hoje ele é totalmente dominado por artistas de dance music. Até os que não eram, hoje são, como Neyo e Chris Brown, que eram R&B e hoje só faltam virar DJs. Note que esse cenário é somente em São Paulo e não no resto do país, onde o cenário é bem diferente. Isso é ruim até mesmo para as rádios, veja bem, se a rádio toca o dia todo, Lady Gaga, Beyonce, Ke$$ha, Rihana, e uma ou outra vez um artista nacional, como ela vai fazer para organizar um projeto verão na praia com bandas que elas não tocam na programação? Ou a cada final de semana terá um show de uma dessas artistas da dance music que citei acima? Claro que não né! É um FAIL total, se você não toca, o seu público não conhece, se ninguém conhece, ninguém vai ao evento! E de que maneira o departamento comercial vai conseguir vender um evento desse? E o caixa da rádio como fica? Passou da hora das rádios repensarem esse approach. No resto do país o estilo predominante é o sertanejo Universitário e ponto final. Até o sul do país onde sertanejo não entrava nem a pau e a música regional reinava soberana, hoje foi invadido por Michel Teló e seus clones. O Rock que reinou há um tempo atrás está atualmente em uma situação menos privilegiada. Mas como já é conhecido da história, esse cenário é cíclico e muda sempre, leve o tempo que levar. Ou alguém aí lembra que a Jovem Pan já chegou tocar Joana e Fagner?

Perí-- Deixe seu recado, link, indique algum artista que vc goste e escreva o que vc quiser. O espaço aqui é seu!

Opa! Valeu! Hoje finalizo todos os meus trabalhos em um Project Studio que montei em casa no Bairro da Granja Viana na grande São Paulo, mais precisamente em Jandira, próximo a Cotia. É um lugar super calmo e bem legal com relação a clima e talz, os Projects Studios são uma tendência mundial com os produtores e engenheiros de som atualmente. Com isso, eles conseguem viabilizar projetos que antes se tornavar muito caros, mas que hoje podem ser realizados em seus estúdios e com o seu “flavour”, e o mais legal, com equipos que eles gostam e costumam usar pra dar o seu print final nos trabalhos. Hoje trabalho de uma forma que sempre me agradou, que é trabalhar por projetos e por músicas, não trabalho baseado em horas de estúdio. Esse é um estilo de trabalho que sempre me incomodou, pois você sempre fica incomodado ou incomodando o artista. O que acontece trabalhando assim, pelo menos pra mim: O cenário é sempre esse, se você termina rápido uma mix por exemplo, dá sempre a impressão que você quer tirar o trabalho da frente, pra logo fazer outro. Ou se você leva tempo demais, dá a impressão que você pode estar enrolando para ganhar mais em horas de estúdio. Isso eu sempre achei muito chato, hoje trabalho diferente e o resultado é incomparável pra mim. As mixes e masters que faço hoje são totalmente via web, já as produções, como já disse, gosto de acompanhar bem de perto. E pra isso, quando a banda não é e não vem pra São Paulo, eu vou até eles, o que é bem legal também!

Links?

Aqui é onde a galera pode me encontrar:

www.mixmastermusic.com.br

www.facebook.com/lampadinha

www.twitter.com/lampadinha

No meu site você pode encontrar muita informação sobre a minha metodologia de trabalho, bio, perguntas frequentes, meus equipamentos e ainda ouvir os meus trabalhos mais recentes.

 

“Horizonte Vertical é um blog criado e redigido por Perí Carpigiani e tem como principal objetivo entrevistar artistas de diversos segmentos .”

Sobre lampadinha

Trabalhar com música é tudo que sei!
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Uma resposta a Perí entrevista o produtor musical Lampadinha, dono da Mixmastermusic, confira!

  1. prev disse:

    best e-juice Perí entrevista o produtor musical Lampadinha, dono da Mixmastermusic, confira! | blog do lampadinha

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